Pensamento do Mês

Pensamento do Mês:

"Embora tenha sido, durante muito tempo, sinónimo de libertação pela difusão do saber e do conhecimento, atualmente a comunicação revela uma nova faceta: transformada em ideologia opressora da "comunicação total" - grande superstição moderna -, parece que ela atingiu e ultrapassou o seu zénite, para entrar numa era em que todas as suas qualidades se transformariam em defeitos, as suas virtudes em vícios... Para acabar por execer uma verdadeira tirania, ao invadir todos os aspetos da vida social, política, económica e cultural."
Ignacio Ramonet




Foto do Mês

Foto do Mês

Foto do Mês

Sábado, 28 de Janeiro de 2012

Convidado do Mês - Carlos Pinto "A Política dos 3 'A' ''



Hoje é mais um dia histórico. O nosso país bateu o record no risco de bancarrota (default, para os estrangeirados...), com uma probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa a situar-se nos 68,69% , e com os juros da dívida a atingirem também novos máximos, designadamente, na dívida  a 10 anos, com um valor próximo dos 15%.
 E, com uma coincidência irónica,  no mesmo dia em que o Wall Street Journal publica um artigo do nosso inefável Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, Carlos Moedas, enaltecendo os amanhãs que cantam neste país…que vão baixar os impostos, que Portugal está a conseguir vencer os ventos contrários e outras loas para os especuladores dos mercados…como se os mercados e seus agentes, como dizia aquele inarrável broker inglês, não sonhassem com a crise e a recessão!
Coitado do Moedas (e coitados de nós…), ele bem tenta espalhar a esperança, mas a realidade tende a fazer-lhe a desfeita.
Quando, no dia 23 de Março do ano passado, chumbaram o PEC4, esta clarividente pessoa disse que, se o PSD ganhasse e com as reformas e as medidas que iriam implementar, as agências de rating ainda iriam subir o rating do país…afinal, não só não subiram, como ainda nos mandaram para o lixo…mas estes estarolas que agora nos (des)governam e apesar dos avisos e recomendações de muitos ilustres economistas, a que se juntam agora também o próprio FMI e mesmo as agências de rating, persistem na sua política dos três “A”: Austeridade, Austeridade e Austeridade…certamente para compensar o triplo AAA perdido.
Lamentavelmente, ainda não perceberam que esta coisa de tentarem ser bons alunos junto da Sra. Merkel não irá dar frutos. Enquanto o actual governo português falar alemão, não irá conseguir ter uma voz activa, conjuntamente com outros parceiros europeus e igualmente afectados por esta crise, em soluções realistas e eficazes de defesa da zona euro. Até a generalidade dos habituais comentadores que até há 8 meses defendiam as teorias danacionalização da crise, unicamente imputável aos desmandos orçamentais dos socialistas, agora já reconhecem e falam em crise sistémica do euro. A austeridade só por si, não chega. Têm que ser outrossim implementadas políticas de desenvolvimento e crescimento económico e um diferente papel de intervenção do BCE nos mercados financeiros.
A política económica deste governo trouxe-nos até aqui. Ou melhor, a opção feita no dia 23 de Março de 2011 pelos estarolas que agora nos governam, ditou o nosso destino. Isso e a prestável contribuição do nosso Presidente da República, que como foi recentemente assumido pelo jornalista do regimePaulo Pinto Mascaranhas, no CM, ao confessar que “Cavaco Silva prestou inúmeros serviços ao País, o último dos quais com o discurso de tomada de posse em Março de 2011, que conduziu à queda do anterior governo”.
Foram os idos de Março, mais uma vez tragicamente repetidos: não foi apunhalado somente um homem, mas todo um país, que por meros jogos tácticos partidários e vontade de ir ao pote, hipotecou, quiçá para as próximas décadas, os desígnios de um povo, forçando-nos à humilhante situação de ter de pedir ajuda financeira externa e as suas aviltadas consequências.
Neste últimos dias, andamos todos muito indignados com as lamuriantes declarações do Presidente da República sobre as suas reformas e despesas…mas não vi tais indignações quando na última campanha presidencial a mesma pessoa, além de não esclarecer questões relacionadas com o BPN e património imobiliário de que é detentor, insultou os seus opositores e aqueles que legitimamente o questionavam, ao afirmar que tinham que nascer duas vezes, para ser mais honestos que ele.
Com Portugal em risco de bancarrota e os portugueses martirizados com esta política dos três “A”, estas recentes queixas do Presidente da República são… peanuts!  
   
Carlos Pinto