
Hoje é mais um dia histórico. O nosso país bateu o record no risco de bancarrota (default, para os estrangeirados...), com uma probabilidade de incumprimento da dívida portuguesa a situar-se nos 68,69% , e com os juros da dívida a atingirem também novos máximos, designadamente, na dívida a 10 anos, com um valor próximo dos 15%.
E, com uma coincidência irónica, no mesmo dia em que o Wall Street Journal publica um artigo do nosso inefável Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro, Carlos Moedas, enaltecendo os amanhãs que cantam neste país…que vão baixar os impostos, que Portugal está a conseguir vencer os ventos contrários e outras loas para os especuladores dos mercados…como se os mercados e seus agentes, como dizia aquele inarrável broker inglês, não sonhassem com a crise e a recessão!
Coitado do Moedas (e coitados de nós…), ele bem tenta espalhar a esperança, mas a realidade tende a fazer-lhe a desfeita.
Quando, no dia 23 de Março do ano passado, chumbaram o PEC4, esta clarividente pessoa disse que, se o PSD ganhasse e com as reformas e as medidas que iriam implementar, as agências de rating ainda iriam subir o rating do país…afinal, não só não subiram, como ainda nos mandaram para o lixo…mas estes estarolas que agora nos (des)governam e apesar dos avisos e recomendações de muitos ilustres economistas, a que se juntam agora também o próprio FMI e mesmo as agências de rating, persistem na sua política dos três “A”: Austeridade, Austeridade e Austeridade…certamente para compensar o triplo AAA perdido.
Lamentavelmente, ainda não perceberam que esta coisa de tentarem ser bons alunos junto da Sra. Merkel não irá dar frutos. Enquanto o actual governo português falar alemão, não irá conseguir ter uma voz activa, conjuntamente com outros parceiros europeus e igualmente afectados por esta crise, em soluções realistas e eficazes de defesa da zona euro. Até a generalidade dos habituais comentadores que até há 8 meses defendiam as teorias danacionalização da crise, unicamente imputável aos desmandos orçamentais dos socialistas, agora já reconhecem e falam em crise sistémica do euro. A austeridade só por si, não chega. Têm que ser outrossim implementadas políticas de desenvolvimento e crescimento económico e um diferente papel de intervenção do BCE nos mercados financeiros.
A política económica deste governo trouxe-nos até aqui. Ou melhor, a opção feita no dia 23 de Março de 2011 pelos estarolas que agora nos governam, ditou o nosso destino. Isso e a prestável contribuição do nosso Presidente da República, que como foi recentemente assumido pelo jornalista do regimePaulo Pinto Mascaranhas, no CM, ao confessar que “Cavaco Silva prestou inúmeros serviços ao País, o último dos quais com o discurso de tomada de posse em Março de 2011, que conduziu à queda do anterior governo”.
Foram os idos de Março, mais uma vez tragicamente repetidos: não foi apunhalado somente um homem, mas todo um país, que por meros jogos tácticos partidários e vontade de ir ao pote, hipotecou, quiçá para as próximas décadas, os desígnios de um povo, forçando-nos à humilhante situação de ter de pedir ajuda financeira externa e as suas aviltadas consequências.
Neste últimos dias, andamos todos muito indignados com as lamuriantes declarações do Presidente da República sobre as suas reformas e despesas…mas não vi tais indignações quando na última campanha presidencial a mesma pessoa, além de não esclarecer questões relacionadas com o BPN e património imobiliário de que é detentor, insultou os seus opositores e aqueles que legitimamente o questionavam, ao afirmar que tinham que nascer duas vezes, para ser mais honestos que ele.
Com Portugal em risco de bancarrota e os portugueses martirizados com esta política dos três “A”, estas recentes queixas do Presidente da República são… peanuts!
Carlos Pinto